Bipolaridade - O linear entre a depressão e a euforia

 

 

Provavelmente você já ouviu falar sobre o Transtorno Bipolar, ou até já foi chamado de bipolar. A verdade é que muitos desconhecem as reais definições do que se é, como funciona e se tem tratamento.

 

É um dos transtornos, mais estigmatizados e julgados socialmente. O quadro se apresenta por fases bem definidas de euforia, ao que chamamos de fase de mania, hipomania (euforia mais leve) alternando para o quadro de depressão.

O que os terapeutas e a medicina avaliam são os graus de intensidade que se apresentam em cada paciente, pois podem ocorrer alterações de humor por meses ou até diariamente (ciclotímico).

 

A problematização não acerca apenas o paciente, mas toda a sua família, social e trabalho, também podem desencadear comorbidades, isto é, a união e abuso de álcool e drogas, quadros de ansiedade, déficit de atenção, entre outros, além de risco de suicídio.

 

Quanto mais rapidamente se buscar um diagnóstico e um tratamento adequado, melhor será a qualidade de vida. Às vezes, as pessoas buscam ajuda quando o quadro já é persistente e já prejudicou todas as áreas da sua vida, portanto, quanto mais cedo tratar, pode ter menos reincidências, compreender melhor as fases, e como lidar com as alterações de humor.

 

Este transtorno precisa de medicação, os mais utilizados são os estabilizadores de humor e antidepressivos, mas devido a sua constante mudança e mudanças no medicamento, muitos fazem um tratamento inadequado ou acabam deixando o tratamento de lado.

 

É importante saber que o trabalho psicológico é fundamental para qualidade de vida, pois somente o medicamento não é suficiente, pois nem todos respondem bem ou da mesma forma aos estabilizadores de humor.

 

Os bipolares carregam padrões de pensamentos irrealistas e podem se beneficiar com a terapia, aprendendo organizar seu tempo, realizar atividades e focar de maneira adequada ao tratamento medicamentoso. Muitos perdem a capacidade em obter os prazeres da vida, se limitam a afazeres de forma mais obsessiva e compulsória. Aprender a lidar com os sentimentos confusos e pensamentos é fundamental no tratamento.

 

O que podemos perceber é que existem muitos erros clínicos de diagnóstico, dificultando o processo para iniciar o melhor tratamento, isto porque, é bem complicado definir e afirmar que seja bipolaridade.

 

O paciente pode chegar com a queixa de déficit de atenção e não saber definir se tem ou não ansiedade, se já teve depressão ou fases de mania (mesmo que leve, hipomania). Podem pensar que o uso de drogas ou álcool seria decorrente de outros históricos, e acabar sendo descartado como sintomatologia da bipolaridade, é um trabalho bem investigativo.

Por isso quanto mais você ter autoconhecimento, compreender porque pratica alguns comportamentos e aprender sobre si, pode te ajudar a buscar ajuda mais rápida e específica, ou até mesmo indicar para alguém que você observa essas alterações de humor.

 

Quebrar o preconceito da doença é a primeira regra, pois provavelmente deverá fazer o uso de medicamentos e ter auxilio terapêutico. É melhor considerar ter uma vida com mais qualidade, do que viver no sofrimento pelo medo do julgamento dos outros e de si mesmo.

 

Fazer a psicoeducação com seu psicólogo sobre o transtorno é essencial para entender o quadro, desenvolvimento e processo de tratamento. A terapia pode te ajudar identificar e analisar as mudanças que ocorrem em cada fase, pois cada personalidade tem um desenvolvimento diferente. O Psicólogo poderá te auxiliar nas estratégias para modificar os pensamentos irreais, desorganizados e depressores.

 

O principal objetivo é a redução dos sintomas e de recaídas, assim como melhor aderência aos medicamentos.

Outro ponto fundamental é ter o apoio familiar e de amigos, a quebra do preconceito e da hostilidade é bem importante e incentivador para a continuidade. Melhor ajudar, do que julgar.

 

Existem várias técnicas que podem ser utilizadas em processo terapêutico, é necessário buscar um profissional que tenha conhecimento da bipolaridade, tenha experiências de tratamento ou indicações.

 

O transtorno bipolar tem tratamento e manutenção, basta você querer ser ajudado e compreender que será sempre contínuo, mas que está tudo bem, se isso te trazer uma qualidade de vida melhor.

 

 

 

Por Cleunice Paez - Psicóloga CRP 06/103445

Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, modificação de pensamentos, comportamentos e ciclos de repetição.

Especialista em Psicologia Jurídica, atuante como Psicólogo Assistente Técnico e laudos psicológicos.

Contato (011) 970172525

Email: paez.psicologa@gmail.com

 

*Publicado primeiramente no caentrenospsicologos.com